Actualizado a 23 de Abril de 2004

 

(novo) Fernando Alves - TST

Jornal a 'Outra Banda' de 22 de Abril

Orca

Poema de Manuel Alegre

Ruben de Carvalho no DN a 7 de Marços

RAP

 

 

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Porque Abril é... Revolução

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[ Fernando Alves - TST ]

Eu não tiro o «érre» ao cravo

não lhe cavo a sepultura

E não tiro o «érre» ao Carmo

não lhe acamo a ditadura

Mas palpita-me que o estorvo

abjurado por quantos ao Abril tiram o «érre»

é a nota dissonante de incómoda partitura

E não tiro o «érre» ao bardo

nem por rima emparelhada

nem baixo o volume ao brado

de uma revolução datada

Que a rapina de tal «érre»

rebuscada regressão

açucena sem cedilha

é mão no peito em usura

abcedário de nada

http://www.tsf.pt/online/primeira/interior.asp?id_artigo=TSF145277


[ Jornal 'Outra Banda' de 22 de Abril ]

VADE RECTRO! - Adaptar a história ao linguarjar de uma certa direita já com um claro pico a azedo, parece ter sido a intenção do Governo, através dos cartazes que encomendou. O povo é que não alinha com estas evoluções. Portas, só as que Abril abriu.


[ Orca ]

Se nos tiram o R do que é nosso
Não importa
Fica o osso
Fica-nos sempre uma porta
P'ra sair do fundo poço
Desta vidinha tão torta
E com o osso eu posso
- Isso é que eu posso! -
Fazer sopinha da pedra
Que esta vida é uma pressa

Revolução sem R não
Fica sem sal e sem pão
É vontade que não medra
Prefiro trocar o R
E mandá-los bardamerda.


http://sete-mares.blogspot.com


[ Manuel Alegre ]

«Trinta anos depois querem tirar o r
se puderem vai a cedilha e o til
trinta anos depois alguém que berre
r de revolução r de Abril
r até de porra r vezes dois
r de renascer trinta anos depois


Trinta anos depois ainda nos resta
da liberdade o l mas qualquer dia
democracia fica sem o d .
Alguém que faça um f para a festa
alguém que venha perguntar porquê
e traga um grande p de poesia.


Trinta anos depois a vida é tua
agarra as letras todas e com elas
escreve a palavra amor (onde somos sempre dois)
escreve a palavra amor em cada rua
e então verás de novo as caravelas
a passar por aqui: trinta anos depois.»


[ Ruben de Carvalho no DN a 7 de Março ]

Fiel ao seu estilo, onde com duvidoso ganho se cruzam a adjectivação caceteira de Vasco Graça Moura e a oralidade boçal de Alberto João Jardim, veio o ministro Morais Sarmento anunciar ao País que o «Governo quer» que os 30 anos de 25 de Abril sejam festejados «sem carga político-partidária». E que o Governo também «quer» que as comemorações sejam feitas «sob a perspectiva da evolução», onde se incluem com destaque «as novas infra-estruturas rodoviárias».

Situando-se ideologicamente, diz o Governo que «os valores de Abril não são compatíveis com comemorações (...) enquadradas em considerações meramente ideológicas».

Pela forma e pelo fundo, é de recear que o texto haja sido redigido pela Dra. Mariana Cascais.

Só assim, por exemplo, se compreende que o Dr. Morais Sarmento considere que o 25 de Abril se traduz menos no fim das torturas da PIDE sobre os presos (políticos e partidários em geral), e muito mais no IP5.

Alguém terá de explicar ao Governo que, nestas como noutras coisas, ele não tem que «querer» coisa nenhuma.

E, para evitar estas enormidades, ser-lhe-ia útil arranjar uns dinheiritos e promover uma urgente acção de formação aos seus membros sobre a Constituição e, já agora, a História do País.


[ RAP ]

ABRIL PARA TODOS: Não me surpreenderei se a revolução for perdendo letras todos os anos. Este ano, caiu o “r” (ou, para o ministro Morais Sarmento, mentor da ideia, o “g”). Ficou “evolução”, porque a palavra “revolução” maça a direita. Mas “evolução” também não me parece consensual. Os católicos criacionistas, por exemplo, nunca foram à bola com a evolução. Para eles, o 25 de Abril foi certamente criado por Deus. Mais: eles levam a mal que se lhes diga que as coisas são produto de um processo evolutivo. Já com aquela história dos macacos ficaram muito indispostos. Mais vale tirar o “e”. Para o ano, será: “Abril é volução”. É um bocado estranho, mas faz tanto sentido como o slogan deste ano.

http://gatofedorento.blogspot.com/